Mostrando postagens com marcador idéias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador idéias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de julho de 2009

“Play Me, I’m Yours “ (Toque-me, sou teu)



Simplesmente adorável! Primeiro porque o piano é um instrumento magnífico, segundo porque andamos carentes de idéias que inspiram, que transformam, que modificam o ambiente, que proporcionam ao ser humano momentos lúdicos e únicos.

O projeto é do músico inglês Luke Jerram. Pianos foram espalhados nas cidades em todo o mundo, localizados em parques, zonas industriais, escolas, estações ferroviárias, bares, etc. O nome da campanha fala por si só “Play Me, I’m Yours “ (Toque-me, sou teu). Não precisa ser músico, basta aceitar o convite, sentar-se ao piano e mergulhar na experiência sonora que nossos impulsos proporcionam. A musicalidade flui, quem define o ritmo é a individualidade de cada um. Uma experiência rica e fascinante.

“Pianos distribuídos em diversas regiões da cidade interferem no cotidiano visual e sonoro do espaço público. Livre para a apropriação e manipulação por qualquer pessoa”. Assim o projeto é definido no site http://www.pianosderua.com.br/ , espaço para registro das diversas experiências. Os pianos agem como uma tela em branco, cujos contornos, cores e, claro, sons, vão tomando forma com a participação da coletividade, proporcionando uma reflexão das comunidades em que estão inseridos. Uma provocação, convidando o público a participar, interagir, trocar experiências e tomar posse do seu ambiente urbano.

Muitas experiências, com certeza, ficarão gravadas para sempre, como a de Ricardo, um morador de rua na cidade de São Paulo que nunca havia tocado um piano, apesar de sonhar um dia aprender tocar como Elton John. A partir da intervenção urbana de Luke Jerram para a mostra SESC de artes 2008, Ricardo pôde se aproximar do instrumento e o resultado pode ser conferido no vídeo abaixo...




A mostra que passou em São Paulo em outubro de 2008 foi tão boa que o idealizador resolveu deixar de presente um piano na Estação da Luz (imagem abaixo) por tempo indeterminado. O projeto continua pelo mundo. Para mais informações acesse
ou



Um ótimo fim de semana!
- Claudia Coutinho -

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Café do Próximo


Foi em Praga, na República Tcheca, que surgiu o hábito do "café pendente". Tudo começou com o personagem de um livro. Ele entra num bar, toma um café e, quando vem a conta, paga dois, explicando pra garçonete: "Pago o meu e deixo um pendente". Inaugurou-se assim o costume de se deixar pagos dois, para o caso de surgir alguém sem trocado para um cafezinho. A Livraria Argumento, do Rio, que tem em suas dependências o charmoso Café Severino, adotou esse esquema, rebatizando-o de "café do próximo". Colocou um quadro-negro na entrada e ali vai anotando todos os cafés pendentes do dia, aqueles que já foram pagos. Às vezes tem dois, às vezes três, às vezes nenhum. Quem chega sem grana e vê ali no quadro que há um café pendente, pode pedi-lo sem constrangimento. Quando voltar outro dia, com dinheiro, poderá, se quiser, pagar dois e retribuir a gentileza para o próximo desprevenido. E assim mantém-se a corrente e ninguém fica sem café.

Num país como o nosso, com tanta gente passando dificuldades e com governantes tão desinteressados no bem-estar social, esta história me pareceu quase uma parábola.Num cantinho do Rio de Janeiro, uns pagam os cafés dos outros, colocando em prática o tal "fazer o bem sem olhar a quem". Claro que é apenas um charme que a livraria oferece, sem pretensões de mudar o mundo, mas eu fico pensando que este tipo de mentalidade poderia ser mais propagada entre nós. Imagine se a moda pega em açougues, mercados, cinemas. Você compra seis salsichões e paga sete, deixando um pendente.Você faz as compras no mercado e deixa dois quilos de arroz pendentes. Vai ao cinema e, em vez de comprar uma entrada, compra duas. Em todos os estabelecimentos comerciais do país, haveria um quadro-negro avisando as pendências destinadas ao próximo. Não soluciona nada, mas é simpático. Tá bom, eu sei, posso até ver a confusão. Uns não iriam topar deixar pago nem um copo d'água para estes "vagabundos que não trabalham". Alguns comerciantes rejeitariam a proposta sob o argumento de que "meu estabelecimento vai ficar cheio de mendigos".

Realmente, talvez não seja uma boa idéia para ganhar as ruas, ao menos não num país onde a carência é tanta, a falta de segurança é tanta, a desordem é tanta, e a malandragem nem se fala. Melhor deixar o "café do próximo" como um charme a mais dentro de uma livraria carioca. Mas de uma coisa não tenho dúvida: este exemplo pequeníssimo de boa vontade terá que um dia ser ampliado por todos nós. Vai ter uma hora em que a gente vai ter que parar de blablablá e fazer alguma coisa de fato. Ou a gente estende a mão pro tal do próximo, ou o próximo vai continuar exigindo o dele com uma faca apontada pra nossa garganta. Esperar alguma atitude vinda de Brasília? Aqueles não são os próximos, aqueles são os cada vez mais distantes. Deles não esperemos nada. Ou a sociedade se mexe e estabelece novas formas de convívio social, com idéias simples, mas operacionais, ou o café do próximo vai nos custar cada vez mais caro.

Martha Medeiros

Mais uma crônica inteligente e instigante da Martha. A cafeína, como sabemos, é um dos melhores estimulantes para o cérebro, ajuda as idéias fluírem, despertando as mais originais e revolucionárias. Da próxima vez que for ao Rio, com certeza, terei que conhecer o Café Severino, localizado na Livraria Argumento. Por enquanto, vou curtindo o cafezinho da Livraria Cultura, no nosso charmoso Paço Alfândega.

Um brinde à reflexão e às grandes idéias, claro, com uma deliciosa xícara de café!!! ;D