segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Discurso de Oscar Arias



Palavras do Presidente Oscar Arias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de abril de 2009.
"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo. Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres. Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade. Há também uma diferença muito grande.
Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos. Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal.
Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que a da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura, em questão de 35 a 40 anos, é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos. Que fizemos errado?
Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.
Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10. Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, exceto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.
Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa. No meu pronunciamento desta manhã, referi-me a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado.
Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados. *Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados.
Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estruturar necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas. Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta.
Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os acadêmicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles.
Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o *pragmatismo*.
Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Cingapura e a Coréia do Sul, depois de ter-se dado conta de que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: "Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos". E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso".
E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás. A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.
Muchas gracias."
Terceirizar culpa para encobrir a própria incompetência é fácil, conveniente e, de quebra, favorece enganar, escandalosamente, o povo. Tiro o chapéu para o Sr. Oscar Arias. As observações são muito pertinentes. Resultados diferentes pressupõem atitudes diferentes.
Claudia.

domingo, 30 de agosto de 2009

A Arte do Mangá

Adoro a arte dos Mangás. Seus traços são perfeitos, as expressões quase que reais e as curvas femininas nas mãos desses artistas, uma perfeição. São feitos para todos os gostos e contam todos os tipos de histórias, sejam elas para crianças, jovens ou adultos. Um show de criatividade!

SHI, por William Tucci...


Boa noite!

Claudia.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um convite à instrospecção, por Natália Franco

Foto tirada na praia de Ponta Verde/Maceió, por Natália Franco. Segundo a fotógrafa, a foto, batizada como "Um convite à introspecção", está crua, ou seja, sem edições adicionais, exceto a assinatura da autora. Sendo filha dessa terra e conhecedora de suas belezas naturais, sei da veracidade da afirmação de Natália.

A beleza da imagem acabou por ser premiada no 6º concurso, tema "Imagens Noturnas" da comunidade BemFlickrBemBrasil.

Para explorar a galeria de imagens da autora acesse: http://www.flickr.com/photos/nataliafranco/3348068944/

Ai que saudades do azul desse mar e dos coqueirais!



Claudia.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Wappa: Adeus vouchers de táxi!


Estou cansada de ouvir falar em problemas, escândalos políticos e anomalias sociais. Essa onda de masoquismo coletivo, não sei se por falta de assunto ou de criatividade, que vem transformando nossos meios de comunicação, com raras exceções, num lugar comum e insuportável. Gosto mesmo é de saber o que há de novo, conhecer gente que faz e descobrir quais as soluções disponíveis no mercado.
Hoje, abro um espaço para divulgar a grande idéia da empresa Wappa, cujo serviço, dentre outros, é facilitar o pagamento e a gestão das despesas com táxi, de forma simples, inovadora e enxuta. A metodologia é simples: em vez de utilizar vouchers, os funcionários das empresas, munidos de uma senha, pagam a corrida mediante o envio de um torpedo. A Wappa reúne os torpedos, consolida as despesas e manda uma conta única às empresas clientes – em seguida paga às centrais de transporte.
As movimentações podem ser monitoradas através de Relatórios Gerenciais, contendo informações sobre valor, trajeto, data, horário e quilometragem de cada corrida. Há ainda a possibilidade de alocar um limite mensal para utilização por colaborador, cujos pagamentos das corridas são efetuados por celular e imediatamente disponibilizados, via WEB, permitindo o acompanhamento e controle em tempo real.

São 75 centrais de rádio táxi, distribuídas em vários estados do País:


Para mais informações e simulação do serviço acesse o site http://www.wappa.com.br/

Um grande abraço,
Claudia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O Futuro do Trabalho

Esqueça os escritórios, os salários fixos e a aposentadoria. Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher.


Admita: você também não gosta de trabalhar. Passar o dia inteiro sob luzes fluorescentes, tomando café ruim, sentado em uma cadeira desconfortável e usando um computador velho certamente não faz parte do sonho de infância de ninguém. Admita. E não se sinta culpado. Nossos ancestrais - que nem conheciam as torturas de um escritório - também não eram muito chegados a essa história de trabalho.

Para gregos e romanos, colocar a mão na massa era considerada tarefa das classes inferiores e escravos. Domenico de Masi, professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza de Roma e autor do livro O Ócio Criativo, que defende uma abordagem mais lúdica do trabalho, apontou um ponto de convergência em todas as religiões: em nenhuma delas se trabalha no Paraíso. "Tenha o Paraíso sido criado por Deus, tenha sido inventado pelos homens, se o trabalho fosse um valor positivo, no Paraíso se trabalharia", afirma. Ou seja, alguma coisa está errada, e não é de hoje.

Felizmente, nunca houve tantas ferramentas disponíveis para mudar o modo como trabalhamos e, consequentemente, como vivemos. E as transformações estão acontecendo. A crise despedaçou companhias gigantes tidas até então como modelos de administração. Em vez de grandes conglo-merados, o futuro será povoado de empresas menores reunidas em torno de projetos em comum. Os próximos anos também vão consolidar mudanças que vêm acontecendo há algum tempo: a bus-ca pela qualidade de vida, a preocupação com o meio ambiente, e a vontade de nos realizarmos como pessoas também em nossos trabalhos. "Falamos tanto em desperdício de recursos naturais e energia, mas e quanto ao desperdício de talentos?", diz o filósofo e ensaísta suíço Alain de Botton em seu novo livro The Pleasures and Sorrows of Works (Os prazeres e as dores do trabalho).


Para começar, esqueça essa história de emprego. Em dez anos, emprego será uma palavra cami-nhando para o desuso. O mundo estará mais veloz, interligado e com organizações diferentes das nossas. Novas tecnologias vão ampliar ainda mais a possibilidade de trabalhar ao redor do globo, em qualquer horário. Hierarquias flexíveis irão surgir para acompanhar o poder descentralizado das redes de produção. Será a era do trabalho freelance, colaborativo e, de certa forma, inseguro. Também será o tempo de mais conforto, cuidado com a natureza e criatividade.

A globalização e os avanços tecnológicos (alguns deles já estão disponíveis hoje) vão tornar tudo isso possível. E uma nova geração que vai chegar ao comando das empresas, com uma presença feminina cada vez maior, vai colocar em xeque antigos dogmas. Para que as empresas vão pedir nossa presença física durante oito horas por dia se podem nos contatar por videoconferência a qual-quer instante? Para que trabalhar com clientes ou fornecedores apenas do seu país se você pode negociar sem dificuldades com o mundo inteiro? Imagine as possibilidades e verá que o mercado de trabalho vai ser bem diferente em 2020. O emprego vai acabar. Vamos ter que nos adaptar. Mas o que vai surgir no lugar dele é mais racional, moderno e, se tudo der certo, mais prazeroso.

Fonte: Revista Galileu - julho/2008

O texto desperta o repensar sobre as metodologias e relacionamentos atuais. Não tenho dúvidas que o caminho será esse. Por resistência, muitas organizações perecerão, outras continuarão a existir, mas com um perfil totalmente diferente do que conhecemos hoje. Conseguir vantagens competitivas numa sociedade digital exige métodos, procedimentos e, principalmente, postura totalmente diferentes dos atualmente vigentes.



O tema me lembrou a Goldcorp, empresa canadense de mineração de ouro, cujo case foi tratado na obra "Wikinomics - Como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio", de autoria de Don Tapscott e Anthony D. Williams, Ed. Nova Fronteira.
Com o esgotamento das reservas mineradoras, a organização quase chegou à falência. Na década de 90, Rob McEwen assumiu o cargo de CEO da empresa. Não bastasse os enormes problemas, o mesmo não era necessariamente um dos maiores conhecedores do ramo. Mas, por ironia, talvez essa tenha sido exatamente a característica que mudou os rumos dos negócios. À época, ele assistiu a uma palestra no Massachusetts Institute of Technology (MIT) sobre como o Linux surgiu, é mantido e atualizado. Na indústria da mineração, informações geológicas são os segredos mais importantes, estratégicos e bem guardados de uma companhia. Entretanto, McEwen ousou quebrar as regras e colocou todos os dados da companhia disponíveis no site da Goldcorp, e lançou um desafio para quem achasse os melhores métodos e as melhores reservas de ouro nas minas da empresa, oferecendo uma recompensa de US$ 575.000.
Em algumas semanas, uma quantidade imensa de idéias foi submetida, vinda de estudantes, consultores, matemáticos e militares. Profissionais das mais variadas especializações, utilizando recursos e ferramentas ainda não testados pela renomada equipe de geólogos da organização. Os ganhadores identificaram 110 possibilidades, 50% a mais do que os especialistas da própria companhia, alcançando a incrível quantia de 8 milhões de onças de ouro encontradas. A empresa passou de um valor de mercado de US$ 100 milhões para US$ 9 bilhões e estabeleceu uma das instalações mais inovadoras e lucrativas dessa indústria, ainda conservadora.




A grande lição que precisamos aprender é que "a empresa deve olhar para fora da sua organização para desenvolver novas idéias e definir sua direção estratégica."
Ou seja, tal qual a campanha da Apple há alguns anos: "Think Different!". É exatamente isso, precisamos pensar diferente.

Um grande abraço,
Claudia.