quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vencendo o Complexo de Deus nas Organizações


Tanto quanto possível, visitamos sites e blogs em busca de notícias sobre o mundo corporativo, assistimos aos melhores Telejornais, devoramos as bibliografias mais recomendadas sobre negócios, acompanhamos as práticas de sucesso recentemente implantadas, fazemos especializações, MBAs, Doutorados, etc., como forma de enriquecer nosso arsenal de conhecimentos e nos manter atualizados frente aos grupos que frequentamos.
Diariamente, nossas mentes processam milhões de dados, mas, em termos práticos, o que estamos fazendo com todas essas informações? Conseguimos interagir e, consequentemente, operar transformações relevantes em nossas vidas, em nosso ambiente de trabalho, na sociedade em que vivemos? Será que estamos assimilando e aplicando as lições absorvidas ou simplesmente nos preocupamos em fazer as tarefas “recomendadas”?
Indiscutivelmente, precisamos alimentar nossa base de conhecimentos, entretanto, esta precisa ser compartilhada, fortalecida e ampliada para, finalmente, traduzir-se em ações capazes de modificar para melhor a realidade na qual estamos inseridos. A dedução é óbvia, contudo, poucos conseguem resultados expressivos nesse sentido.
Sentimo-nos tão confortáveis em acumular conhecimentos e títulos, como se tal postura fosse suficiente para garantir nossa trajetória profissional enquanto executivos e, inclusive, enquanto empresas. Somos “doutores” da situação. Geramos relatórios com números e gráficos os mais variados, monitoramos nossas receitas e despesas, estruturamos nossa matriz de custos, prospectamos clientes, acreditamos que dominamos as tendências econômicas, até que um elemento dinâmico, em constante mutação, chamado mercado, nos surpreende com fatos inusitados e até então imprevistos, colocando por terra as teorias dos estudiosos mais renomados e inquietando dirigentes nos vários setores, obrigando-os a rever suas estratégias organizacionais.
Recentemente, assistindo a palestra do economista Tim Harford, intitulada “Trial, Error and the God Complex” (Tentativa, Erro e o Complexo de Deus), deparei-me com ideias que desafiam o lugar comum. Cabe ressaltar, porém, que seu pensamento não é pioneiro, apenas aplicou na área da Economia os experimentos do Médico e pesquisador Escocês Archie Cochrane, que durante toda sua vida lutou contra uma terrível enfermidade, que debilita indivíduos e corrói sociedades, a qual chamou de Complexo de Deus, cujo principal sintoma é: “não importa o quão complicado seja o problema, você tem uma crença absolutamente incontrolável de que está infalivelmente certo em sua solução”. Harford observou que, apesar da constatação de que os grandes inventos da humanidade foram frutos de tentativas e erros, sem fórmulas que assegurassem sua eficácia; assim como no campo da Medicina, no mundo Econômico muitos são afetados pela síndrome do Complexo de Deus: economistas, empresários, líderes governamentais, que, a despeito de um mundo incrivelmente complicado, estão absolutamente convencidos de que entendem como o mundo funciona. O fato é que, ao analisarmos estatísticas e gráficos, precisamos ir além das informações que os dados nos mostram, precisamos captar o que “ficou de fora”, pois, muito além dos números, existem milhares de interações e combinações complexas entre produtos, preços, demandas, expectativas diferenciadas por classe de consumidores, etc., que podem nos levar à fatalidade de uma interpretação superficial.
Na matéria “Lá vêm os contadores de feijão”, Fábio Steinberg inicia com um exemplo que retrata muito bem o Complexo de Deus. Ele escreve:
“Aquela indústria de comida para cachorros era exemplar. Com uma gestão feita pelos melhores MBAs, tinha uma formulação do produto equilibrada e saudável, controles financeiros invejáveis, logística de distribuição perfeita, força de vendas eficaz, empregados motivados, marketing primoroso e ainda propaganda premiada. Só havia um problema: os malditos cachorros detestavam a ração. Essa história resume o que ocorre com frequência nas grandes corporações, que parecem ter perdido o contato com a realidade do mercado e com a vontade do freguês. Ao manter-se uma organização interessada no próprio umbigo, sob o controle de quem só se excita com resultados financeiros, criam-se monstros autônomos que acabam provocando a própria destruição.
Ninguém melhor que a GM, a centenária ex-maior empresa automotiva do planeta para contar tal trajetória. Segundo Bob Lutz, um respeitado veterano da indústria automotiva, aposentado há um ano como vice-chairman da GM mundial, a empresa começou a ter problemas no dia em que priorizou os resultados financeiros em detrimento do que a consagrara: a produção de carros bons e bonitos que atendiam à vontade do consumidor.
A história da GM não é um fato isolado. Diariamente, empresas de todos os tamanhos e segmentos sofrem do mesmo mal. Não dão atenção ao produto, abandonam a clientela às traças e buscam o lucro imediato, de olho no investidor”. (Texto adaptado da Revista Alfa, nº 12, Agosto, pág. 42).
Talvez por aprender com histórias como essa, ou motivadas pela necessidade de conhecer o mercado e vencer o Complexo de Deus, algumas empresas adotam estratégias diferentes. Umas decidem transpor suas áreas de comando, dando voz aos colaboradores nos diversos níveis. Outras assumem postura ainda mais agressiva, ousando ultrapassar as fronteiras da organização, estabelecendo redes de relacionamento com clientes, sociedade, fornecedores e até mesmo concorrentes, na busca por soluções ágeis e inovadoras, impossíveis de serem produzidas apenas considerando o ambiente interno.
Citamos o caso da Goldcorp, empresa canadense de mineração de ouro que, com o esgotamento de suas jazidas, ousou quebrar as regras da indústria da mineração, disponibilizando todos os dados da companhia no site da empresa, e lançou um desafio para quem achasse os melhores métodos e as melhores reservas de ouro nas minas da empresa, oferecendo uma recompensa de US$ 575.000. Após analisar inúmeras ideias vindas de estudantes, consultores, matemáticos e militares, utilizando recursos e ferramentas ainda não testados pela renomada equipe de geólogos da organização, identificou 110 possibilidades, 50% a mais do que os especialistas da própria companhia, que se traduziram em 8 milhões de onças de ouro encontradas.
Dentro do mesmo espírito, recentemente, a Nokia lançou o concurso “Create 4 Millions”, convidando internautas a participar da competição global para desenvolver aplicativos Java ou Web para telefones Série 40, nas categorias: notícias e informações baseadas em localização, jogos e entretenimento, redes sociais e acesso ao conhecimento. Segundo as informações constantes no site da Nokia “para cada uma das quatro categorias, haverá 10 prêmios em dinheiro, com um prêmio máximo de 50.000 € em cada categoria. Os aplicativos vencedores serão promovidos a nível mundial em vários canais de propriedade da Nokia, incluindo: online, mídia social, boletins informativos e muito mais”. O concurso está aderente com a estratégia da empresa, qual seja: “entregar aparelhos e serviços ainda melhores para a próxima geração, oferecendo excelência em aplicativos para a Série 40, com foco em informação, educação, entretenimento e aproximação de pessoas”.
O Itaú, por sua vez, lançou a Comunidade Empresas, que visa reunir empresários de diversos segmentos para a troca de experiências, expansão da rede de relacionamentos, interação com clientes, parceiros e fornecedores, gerando aprendizado mútuo.
A cada organização os seus desafios. Não importa o caminho escolhido, desde que este, de fato, permita analisar os diferentes mercados consumidores, antecipar as demandas e identificar nichos para a inserção de novos produtos, serviços ou combinações que resultem em modelos de negócios diferenciados. Espaços vazios sempre existem. Cabe aos mais competentes ocupá-los. O segredo? Reconhecimento das limitações e constante disposição para o aprendizado. No início da jornada para alavancar soluções, uma recomendação: manter o pensamento do grande filósofo, “só sei que nada sei!”.
Um brinde à humildade!

sábado, 23 de abril de 2011

Quando o impossível torna-se possível



Se você tem o coração que confia, nada é impossível — até mesmo Deus não é impossível.

Mas você precisa ter um coração confiante. Uma mente confiante não adiantará, porque estruturalmente a mente não pode confiar. Ela é incapaz de confiar. A mente só pode duvidar; a dúvida é natural para a mente, é intrínseca à mente.

A cabeça nada pode fazer a não ser duvidar. Assim, se você começar a forçar crenças à cabeça, essas crenças só esconderão suas dúvidas. Nada acontecerá através delas. E é aí onde estão muçulmanos, cristãos, hindus, jainas; a crença deles é mental — e a mente é incapaz de crer.
Para a mente, crer não é possível; a mente pode apenas duvidar. A dúvida cresce da mente como as folhas crescem das árvores.

A crença surge no coração. O coração não pode duvidar, só pode confiar. Assim, a crença mental — acredito na Bíblia, acredito no Alcorão, acredito no Das Kapital, acredito em Mahavira, ou Moisés, ou Mao Tse Tung — é apenas um falso fenômeno.

A cabeça pode apenas criar falsidades, substitutos. Você pode permanecer comprometido com elas, mas sua vida será desperdiçada. Você permanecerá uma terra árida, um deserto.
Você nunca florescerá, nunca saberá o que é um oásis. Não conhecerá o menor contentamento, a menor celebração.

Assim, quando digo que crer pode tornar coisas impossíveis em possíveis, refiro-me a crer pelo coração — um coração inocente, o coração de uma criança que não sabe como dizer "não", que conhece apenas o sim — mas não o "sim" contra o "não".

Não que a criança diga "não" por dentro e "sim" por fora; isso é da cabeça. Essa é a maneira da cabeça; sim por fora, não por dentro, não por fora, sim por dentro. A cabeça é esquizofrênica. Nunca é total e una.
Quando o coração diz "sim" ele simplesmente diz "sim". Não existe conflito, não existe divisão. O coração está integrado com o seu sim; essa é a verdadeira crença, confiança. É um fenômeno do coração. Não é um pensamento, mas um sentimento, e, essencialmente, nem mesmo um sentimento, mas um estado de ser.
No início, a confiança é um sentimento; em seu florescimento final, é um estado de ser.

Osho, em "Mojud: O Homem com a Vida Inexplicável"

Penso que, somente através do amor, conseguimos transformar o impossível em possível. Inspirada no período da Páscoa, compartilho com vocês um relato emocionante que apenas confirma as palavras de Osho:


Claudia.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"My Favorite Color": Afinal, de quem é a música?

O músico israelita de 25 anos, Ophir Kutiman, inspirado na escola do Funk e da Black Music, executou uma tarefa inusitada. Vasculhando pela web fragmentos de vídeos contendo a performance de músicos amadores, conseguiu agregar dezenas de sons diferentes e sincronizá-los em uma nova música. Na apresentação do vídeo, Ophir, que se tornou famoso por realizar outros mashups na web, deixa claro que a intenção não foi ofender ninguém, pois a ideia resultou de seu verdadeiro amor pela arte da música, e agradece todos os músicos inseridos no vídeo por compartilhar seu talento.

Apesar de incluir no final do vídeo todos os créditos e indicar os links para os vídeos originais, com certeza, Ophir infrigiu o atual regime de direitos autorais. Frutos da cultura da remixtura proporcionada pela web 2.0, alguns trabalhos de mashups são tão perfeitos que abalam as convicções do céticos e fãs das estrelas formais de gravadoras. Se os artistas da "orquestra" virtual de Ophir, denominada "My Favorite Color", formalizarão reclamações eu não sei, mas o resultado do trabalho ficou encantador:

Claudia.

terça-feira, 1 de março de 2011

KINECT: Brasileiro também produz inovação radical!

Para quem não conhece, o Kinect é um novo conceito em jogos, diga-se de passagem, revolucionário. O equipamento, que foi lançado pela Microsoft no final do ano passado, capta os movimentos dos jogadores e os transfere para dentro dos games, sem a necessidade de joystick ou controles.

O conjunto de câmeras do Kinect foi concebido para mapear o jogador e o ambiente em que ele está. Assim, o sistema consegue identificar onde estão braços, pernas e a cabeça do usuário, transferindo seus movimentos para dentro da tela. Todos os menus do console
podem ser acessados com simples gestos, dispensando o uso de controles e botões. Ao ligar o aparelho, imediatamente ele visualiza a sala e o jogador, realizando um pequeno movimento para baixo e para cima. E tem mais, o equipamento possui um sistema de reconhecimento de voz, permitindo controlar a reprodução de vídeos e de músicas, inicialmente nas línguas inglesa, japonesa e espanhola. As demais línguas, incluindo o português brasileiro, serão adicionadas nos próximos meses, durante as atualizações dos softwares.
Mas as novidades não param por ai. Quem assina o invento é Alex Kipman, um cientista brasileiro, natural de Curitiba. Filho do embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, Alex já morou em Roma e Miami, antes de se mudar para Nova York, há 15 anos, onde se formou em Engenharia de Softwares pela Rochester Institute of Technology. Fã de videogames desde pequeno, Alex conta que o Kinect nasceu há 3 anos, quando estava passando uns dias na chácara de sua tia, perto de Curitiba. Observando como as pessoas se tornaram escravas da tecnologia dos botões e controles, perguntou-se como seria não depender de nenhum tipo de dispositivo eletrônico. Foi aí que o “Projeto Natal”, primeira denominação do Kinect, face à paixão de Alex pelo Nordeste, começou a nascer. Uma tecnologia onde você é o controle, conforme demonstra o vídeo abaixo:

Mesmo considerando meu limitado conhecimento sobre Engenharia de Softwares, ouso repetir o jargão popular, Kipman atirou no que viu e acertou no que não viu. Penso nas inúmeras aplicações que poderão advir da tecnologia do Kinect. Simulações nas mais variadas áreas do conhecimento; de aulas de medicina, com cirurgias virtuais, a aulas de ginástica; aplicações e testes de técnicas futebolísticas; incrementos de recursos nas vitrines sensoriais de lojas de vestuário, etc. No campo corporativo, imagino como os chamados jogos empresariais poderão ser enriquecidos. E o que dizer da contribuição que os estímulos sensoriais do Kinect poderão trazer para o desenvolvimento cognitivo na área da Psicologia? Aliás, sobre este último, recomendo a leitura do depoimento emocionado de Arilson Karmo no Portalxbox no post intitulado Kinect fez minha mãe chorar.”
Vocês acham que estou exagerando? Então confiram no vídeo abaixo as diversas interações possibilitadas pelo equipamento:

E ainda há quem diga que brasileiro é criativo, mas não inovador. Nos últimos anos, alguns inventos contradizem essa afirmação. Além de Kipman, podemos citar Fernanda Viégas, a carioca que ficou conhecida como a encantadora de dados, com a criação do site colaborativo Many Eyes; Ricardo Ferreira, químico formado pela UNICAMP, que vem atraindo a atenção dos profissionais da Universidade da Califórnia-UCLA, com seu estudo sobre cristais capazes de absorver CO2 da atmosfera; Artur Ávila, matemático carioca, diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica em Paris, e cujas equações, segundo os mais renomados profissionais da área, são verdadeiras obras de arte; Vanessa Vilela, a mineira que criou a marca de cosméticos Kapeh, definida pela ONU como uma empresa com forte senso de responsabilidade social, que usa o café como matéria-prima, fruto de 3 anos de estudos e parcerias com universidades e institutos de pesquisa; Kiko Mistrorigo e Célia Catunda, os brasileiros donos da Produtora TV PinGüim, que faz o desenho Peixonauta, animação que desbancou sucessos tradicionais e é o desenho mais visto do Discovery Kids, hoje exportado para 50 países; Vítor Araújo, o pianista pernambucano, apontado pela Revista Galileu como uma das promessas da música brasileira. Apesar de sua formação erudita, Vítor inova misturando em seus arranjos influências tão diferentes quanto Heitor Villa-Lobos, Johan Sebastian Bach, Luiz Gonzaga e Chico Buarque, que estão em seu CD e DVD de estréiaTOC – Ao Vivo no Teatro Santa Isabel”. Aliás, abro um parêntese para recomendar a magnífica interpretação de Vítor Araújo em "Comptine D'Un Autre Été", do compositor francês Yann Tiersen.

O que há em comum com a maioria desses profissionais, além da nacionalidade brasileira, é o fato de terem que ir para o exterior para desenvolver suas habilidades em toda plenitude. Talvez o problema não esteja no brasileiro, mas sim nas nossas organizações. Estas, sim, precisam ser ágeis no desenvolvimento da cultura para assimilar, reconhecer e investir na inovação. Normas disciplinares, legislações rigorosas, ausência de políticas arrojadas de treinamento e seriedade excessivas podem se transformar em fortes predadoras da criatividade e, conseqüentemente, da capacidade inovativa. Quando o assunto é inovação, não há meio termo. Ou faz, ou não! Inovar exige investimento contínuo em aquisição e disseminação de conhecimentos, pesquisa, treinamento, acesso a tecnologias, abertura de debates, estímulo a atitudes colaborativas e questionamentos constantes, em todos os níveis.

Muitas vezes ideias e projetos fabulosos são rejeitados com argumentos do tipo: “não é o momento”; “não estamos preparados”; “está fora da nossa realidade”; “estamos nos preparando e evoluindo, mas chegaremos lá!”. Resta-nos saber, “” onde? Afinal, como diz a turma jovem, “a fila anda”.

Uma ótima semana a todos!

Claudia Coutinho.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

CROWDFUNDING: A Revolução do Financiamento Colaborativo



O limite é a sua imaginação!
Foi essa a ideia que me veio à mente quando me deparei com o conceito de crowdfunding, que, traduzido para o Português, significa “financiamento colaborativo”.

Na Wikipédia, a expressão é definida como “uma ação de cooperação coletiva realizada por pessoas que contribuem financeiramente, usualmente via internet, para apoiar iniciativas de outras pessoas ou organizações”.

Embora o termo seja recente no mundo virtual, a ideia de viabilizar ações e projetos mediante doações é antiga, entretanto, ganhou extraordinária força com a internet e o desenvolvimento das chamadas mídias sociais, fatores que possibilitaram conectar pessoas com interesses comuns, em qualquer ponto do planeta, através de plataforma on-line.

Quando, em 1865, o escultor francês Fréderic-Auguste Bartholdi e o historiador de Versalhes Edouard de Laboulaye, ambos admiradores dos Estados Unidos, resolveram presentear os americanos em nome da França, optaram pela construção da famosa Estátua da Liberdade. Na ocasião, face ao alto investimento necessário, Bartholdi lançou a seguinte proposta: quem doasse dinheiro para o projeto ganharia uma réplica do monumento, evidentemente, em tamanho menor. Com o montante arrecadado, na década de 1880, enfim, a Estátua da Liberdade ficou pronta. Se, à época do desafio, Bartholdi contasse com os atuais recursos da internet, certamente seu empreendimento não aguardaria 15 anos para se concretizar.

Hoje, qualquer pessoa que tenha um projeto em mente, entretanto não dispõe de recursos para materializá-lo, não precisa recorrer a fundos de investimentos ou patrocinadores potenciais dispostos a aceitar os riscos. Com o mecanismo do crowdfunding é possível reunir pequenos grupos para financiar projetos que vão desde a produção de filmes a inventos tecnológicos.

Dentre os fortes motivadores do crowdfunding podemos citar o compartilhamento de interesses comuns, a possibilidade de colaboração e, enfim, o sentimento de pertencimento, prazeres que só uma relação em grupo/comunidade pode proporcionar. Afinal, quem não aprecia a ideia de fazer parte de algo grande, ainda que contribua com pouco? No modelo, “quem incentiva faz porque gosta e se identifica com os projetos”.

A primeira plataforma brasileira on-line para financiamento colaborativo entrou no ar neste mês, o site Catarse, inspirado no americano Kickstarter. “Com ele, podemos viabilizar projetos em diversas áreas, desde que tenham relevância social”, diz o administrador gaúcho Daniel Weinmann, 28 anos, um dos precursores do financiamento em massa no Brasil e criador do site Crowdfunding Brasil, lançado em 31 de janeiro, com o objetivo de explicar o que é financiamento colaborativo.

Para informações sobre como inserir ou apoiar um projeto acesse o blog do catarse e assista o vídeo abaixo:

Se você tem uma ideia, acredite!
Claudia Coutinho.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Palestras do TEDx como Treinamento em Inovação

A velocidade da informação e o desenvolvimento tecnológico vêm contribuindo para que o ciclo de vida de produtos e serviços seja cada vez menor. Muito além das teorias administrativas que preconizavam a qualidade e a produtividade, nos anos 80 e 90, hoje, fazer mais com menos é um modelo importante, mas insatisfatório, diante das exigências do atual mercado consumidor. Ultrapassando os limites da melhoria contínua, a necessidade que se apresenta é muito mais complexa, pois requer soluções que combinem, simultaneamente, custo baixo e diferenciação. Em outras palavras, coisa boa produzida com custo baixo, conceitos até então entendidos como conflitantes.

No livro INNOVATRIX, os autores Clemente Nóbrega e Adriano R. de Lima ressaltam que, ao optar por um produto/serviço, quatro questões influenciam a decisão do consumidor: funcionalidade, consistência (garantia de que funciona), conveniência (serviços agregados que promovam satisfação, comodidade, etc.) e preço (existem opções mais baratas no mercado?). A maioria dos produtos/serviços disponíveis já ultrapassou as fronteiras da funcionalidade e da consistência. O grande desafio, portanto, é associar conveniência (diferenciação) e preço.
Diante desse contexto, para manter a vitalidade e assegurar a sustentabilidade dos negócios, o mundo corporativo é obrigado a sair de sua zona de conforto e a pensar, continuamente, novas formas de trabalhar seus produtos/serviços e, principalmente, novos modelos de negócios e relacionamento com os clientes. Por isso, nunca se falou tanto em INOVAÇÃO, cujo objetivo principal é a geração de idéias que possibilitem dinheiro novo. Ou seja, agregar ao produto/serviço variáveis atraentes que captem a percepção de valor do consumidor. Mais que funcionalidade e consistência, os consumidores optam por produtos/serviços que lhes proporcionem experiências gratificantes. É necessário adicionar elementos sensoriais ao ambiente, seja através de cores, ambiência, decoração, música, dança, descontração, aromas, etc. O importante é enriquecer a atmosfera. As empresas que captaram essa evolução do consumo conseguiram produzir inovação de valor, com baixo custo.

Vejamos o exemplo do Cirque Du Soleil. Como conseguir desenvolver arte circense de alto valor com custo baixo? Guy Laliberté, fundador do Cirque, sabia do alto custo envolvido no processo tradicional, desde animais (ração, vacinas, domador, veterinário, alojamento, transporte especial) a artistas de grife. Assim, optou por algumas inovações: eliminou os animais, numa época em que os espectadores começavam a não mais tolerar os castigos físicos infligidos pelos domadores; substituiu artistas famosos por talentos de rua dos diversos cantos do mundo; reduziu os números com palhaços e deu lugar a espetáculos de bom gosto e requinte; introduziu elementos estéticos (temas, música, dança); substituiu os bancos de madeira tradicionais por assentos confortáveis. Uma verdadeira revolução do espetáculo!

Outro exemplo que aguça nossos sentidos é a Livraria Cultura. A loja possui um acervo fabuloso (livros, revistas, CDs, DVDs), sem falar no aroma inconfundível no ar; uma cafeteria charmosa que é um convite ao bate-papo com amigos; um elenco de souvenires sugestivos; auditório para eventos; além da programação destinada ao público infantil. Na hora de comprar um livro, impossível resistir aos encantos sensoriais da Cultura.

No caso de produtos, citamos o kit “tênis Nike + iPod”, a parceria, que combina e amplia os elementos de ambos os modelos de negócios, permite criar uma experiência mais enriquecedora para os corredores. O kit é composto por um sensor e um receptor que envia informações da corrida para o Sportband, iPod Nano, iPod Touch ou iPhone. Usando-o nos treinos e provas, pode-se registrar e controlar todas as informações: distância, velocidade, duração e calorias perdidas. Ao término do treino, basta conectar o Sportband ou o Ipod no computador e baixar todas as informações.

Dentro do raciocínio do redesign, vale refletir sobre transformações que podem ser inseridas com o intuito de proporcionar experiências sensoriais aos clientes.
Durante o lançamento do Movimento Empresarial para a Inovação (MEI), realizado no dia 10/09, numa parceria da FIESC com a CNI, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ressaltou que “o Brasil precisa dobrar o esforço empresarial em inovação, pois esta é a prioridade das prioridades”.

Entretanto, cabe ressaltar que inovação é, acima de tudo, um processo de conexão. O segredo é descobrirmos as lacunas provocadas por situações contraditórias, trabalharmos os recursos disponíveis sobre diversos ângulos, fazer as conexões devidas, identificar soluções inovadoras e realizar. Não podemos ignorar que isso exige, antes, um processo de educação e desbloqueio mental. Como poderemos atingir esse nível de conexão ficando à margem das tecnologias disponíveis, das inúmeras possibilidades de relacionamento com a sociedade e, principalmente, das novas formas de negócios que surgem quase que diariamente? Precisamos entender o contexto para nos situarmos enquanto pessoas, cidadãos, profissionais e, finalmente, enquanto empresa.

Com a finalidade de explorar o tema nas empresas, pode-se adotar as palestras do Programa TEDx, cujo conteúdo é riquíssimo, permitindo avaliar tendências, além de trabalhar, de forma prática e atraente, diversos conceitos como inovação em produtos e serviços, sustentabilidade, responsabilidade social, papel das redes sociais, revisão do modelo de educação, tecnologia, comportamento social, ética nos negócios, inclusão digital, entre outros.

O TED, cuja sigla significa Tecnologia, Entretenimento e Design, surgiu em 1984 como uma conferência anual na Califórnia e já teve entre seus palestrantes Bill Clinton, Paul Simon, Bill Gates, Bono Vox, Al Gore, Michelle Obama e Philippe Starck. Apesar dos mil lugares na platéia, as inscrições esgotam-se um ano antes. O objetivo do evento é divulgar “idéias que merecem ser espalhadas”. Assim, através de uma tribuna livre, os participantes difundem propostas sérias que visam mudar atitudes, vidas e, em última instância, o mundo. Como forma de difundir a prática, os organizadores do TED criaram o programa TEDx, ou seja, eventos locais, e organizados de forma independente, que reúnem pessoas para dividir uma experiência ao estilo TED.

O primeiro evento no Brasil nessa linha foi o TEDxSP, cujo tema central foi “O que o Brasil tem a oferecer ao mundo agora?”, baseado no fato de ser o Brasil um dos países integrantes do BRIC (BRASIL – RÚSSIA – ÍNDIA – CHINA), grupo que vem atraindo a atenção do mundo. Realizada sem fins lucrativos, por isso os ingressos são gratuitos, aliás, uma das premissas estabelecidas pela organização TED, a conferência reuniu mais de 30 pensadores de áreas diversas de conhecimento, desde arte e tecnologia a ciência e negócios, para falar sobre suas melhores idéias. Para manter a objetividade, as palestras são estruturadas com duração de 5 a 18 minutos. “Os palestrantes são orientados a centrar fogo na defesa de apenas uma idéia, sem muito blábláblá.” O diferencial do evento é que as falas mais marcantes vêm exatamente de quem menos esperamos. São pessoas, muitas vezes simples, que ousaram acreditar num ideal e trabalharam para transformá-lo em realidade.
Para ter uma idéia da relevância e dos reflexos do evento, a Revista The President, um lançamento quase secreto do mercado editorial brasileiro, pois se trata de um título tão exclusivo que não é possível ser adquirido em bancas ou livrarias - é distribuído apenas para os três mil presidentes das três mil maiores empresas do Brasil (os vice-presidentes não recebem) – dedicou dez páginas sobre o TED.

As palestras são fascinantes, sem falar no alto nível. Depois de assisti-las, não somos mais os mesmos. Então, porque não trazer a experiência do TEDx para as ações de Treinamento nas Empresas? Os vídeos estão disponíveis e são de domínio público. Após exibição das palestras, é interessante estimular o diálogo entre os participantes, com o intuito de discutir as idéias e pensar cenários dentro do contexto da organização. Afinal, ir ao evento ou assistir aos vídeos tem o mesmo objetivo: acesso ao aprendizado através do conteúdo apresentado pelos palestrantes.
Sobre o programa:


Dentre os momentos interessantes do TEDxSP, destaco a palestra do Ronaldo Lemos, Diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV, com o título “Apropriação Tecnológica pelas Periferias”:


Convém que o programa envolva o maior público possível. A despeito dos papéis desempenhados pelos colaboradores, não sabemos que tipos de experiências são vivenciados por esses fora das dependências da empresa, portanto, desconhecemos que potencial de conexão cada um carrega consigo e, principalmente, que combinações de talentos e habilidades podem estar sendo desperdiçadas. Os insights poderão ser surpreendentes.

Claudia Coutinho

domingo, 5 de setembro de 2010

Branding 3.0


Dentre as oito metas traçadas pela ONU para o milênio, destacam-se a garantia da sustentabilidade ambiental e o estabelecimento de parcerias mundiais para o desenvolvimento. Nesse contexto, é cada vez maior o número de setores que vêm se estruturando para fazer avançar as práticas de responsabilidade social. As experiências demonstram a crescente preocupação dos empresários que desejam a sustentabilidade dos seus negócios no longo prazo.

Um dos grandes motivadores é a pressão que muitas empresas vêm sofrendo do mercado externo para manterem altos padrões de respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos, provocando, assim, transformações significativas nos procedimentos de trabalho, caracterizadas por modernização dos equipamentos, inserção tecnológica e práticas menos prejudiciais ao meio-ambiente.

Tais iniciativas são fundamentais para fomentar as exportações ao mesmo tempo em que revela para a sociedade uma gestão mais transparente sobre suas formas de atuação e de suas cadeias produtivas, possibilitando que o consumidor identifique artigos/serviços produzidos com respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos.
Cabe destacar que, em diversos países, cresce o número de consumidores preocupados com a sustentabilidade e que optam por comprar produtos que agregam padrões sustentáveis em sua cadeia produtiva. Entretanto, políticas sustentáveis voltadas apenas para melhoraria da imagem não geram credibilidade e nem conquistam o respeito dos clientes. Pesquisas demonstram que, embora as ações de sustentabilidade sejam vistas com bons olhos pela sociedade, poucas empresas são reconhecidas como efetivamente “verdes”. Na maioria das vezes, as ações são interpretadas como meras campanhas de marketing.

A nova lógica de relacionamento com consumidores requer mudança de postura das empresas, exigindo seriedade no tratamento das questões de sustentabilidade, as quais devem ser consideradas no planejamento estratégico, necessitando, sobretudo, estar alinhadas à essência da organização, ao seu negócio principal. Este é o raciocínio que norteia o conceito de Branding 3.0, apresentado por Fred Gelli, Diretor da Tátil Design, vídeo abaixo.

Claudia Coutinho


domingo, 11 de julho de 2010

Quando o amor nos aproxima do desconhecido...



Enquanto houver amor, em todos os cantos do mundo, os eventos da humanidade atingirão conexões tão elevadas que nos surpreenderão...




O medo do desconhecido existe, enquanto persistir nossa incapacidade de entrar em conexão com ele...






Apenas para desejar uma excelente semana!
Claudia.

domingo, 11 de abril de 2010

Lenine e sua paixão pelas orquídeas


“O significado das orquídeas impactam em uma ampla variedade de mensagens, porém, historicamente o significado é a riqueza, amor e beleza. Para os gregos antigos, as orquídeas sugestionavam a virilidade, e, após a ascenção da popularidade da coleção orquidária inglesa, o significado das orquídeas passou a ser o simbolo da luxúria. Os Astecas, como tradição, bebiam um misto de orquídeas selvagens (vanilla) para conferir-lhes poder e força, enquanto os chineses acreditavam que orquídeas lhes curavam de doenças pulmonares e tosses.

Atualmente as orquídeas são carinhosamente conferidas ao símbolo do raro e da delicada beleza. Tornaram-se uma das mais populares plantas, devido ao seu charme místico, e sua abilidade de impressionar à quem a recebe.
Entre os muitos tipos de flores disponíveis, as orquídeas estão em uma categoria especial, fascinantes e cativantes, fazendo delas uma escolha especial para presentear pessoas especiais”

Fonte:
Florencanto

Ao maior dos reis, leve um buquê de orquídeas.”

A frase acima teria sido dita por volta do ano 900 antes de Cristo, por uma escrava à rainha de SABÁ, preocupada em escolher um presente à altura de SALOMÃO, rei de ISRAEL. Ao que consta, a rainha aceitou de imediato a sugestão da escrava, e conquistou o rei vizinho.
Não há quem resista à beleza e ao fascínio dessa planta cujas variedades são inúmeras. Foi pesquisando sobre o assunto que descobri um admirador muito especial: Lenine. Sua paixão pelas orquídeas acabou se transformando no CD “Labiata”, como não poderia deixar de ser, um belíssimo trabalho!
No vídeo abaixo, o músico fala sobre sua paixão e as lições aprendidas com essa planta de rara beleza.




Veja também entrevista do músico no site da Natura, com o título "Bem Estar no cultivo de Orquídeas". Um momento de grande aprendizado.
Uma bela semana para vocês!
Claudia.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Flamenco de Joaquín Cortés


A dança flamenca serviu como “cartão postal” da cultura espanhola durante muitos anos, apresentada como manifestação folclórica daquele país.
Porém a Arte Flamenca nunca conseguiu manter-se na categoria de dança folclórica, pois não é uma manifestação cultural de um povo específico. Devido a sua amplitude, aos poucos foi sendo rotulada como dança étnica e, até hoje, é vista dessa maneira nos países estrangeiros à Espanha.
Uma perda para a dança contemporânea!
A Arte Flamenca não pertence a nenhuma cultura especificamente. Embora tenha nascido no sul da Espanha, na região da Andalucia, o FLAMENCO é uma manifestação de várias culturas integradas. A convivência sócio-econômica e cultural de alguns povos, entre eles árabes, judeus, ciganos de origem hindu, e o povo nativo da Andalucia, provocou essa manifestação cultural que não encontra parentesco em nenhum outro lugar do mundo.
Sendo uma cultura, ou expressão artística, proveniente da integração de várias culturas, de várias etnias, o FLAMENCO não pode ser enquadrado numa categoria de dança étnica, pois representa uma diversidade e não uma particularidade de qualquer etnia.
Esse enclausuramento deveu-se tanto a uma iniciativa de apropriação dos próprios artistas flamencos, quanto a uma falta de conhecimento da complexidade da arte flamenca, por parte dos estrangeiros.
No entanto, nos idos dos anos 70 e 80, artistas como Paco de Lucia, Camarón de La Isla e Antonio Gades, expandiram os limites dessa manifestação cultural, apresentando ao mundo o FLAMENCO como uma autêntica expressão artística que disputou reconhecimento com outras manifestações já consagradas como o Jazz ou a dança clássica.
O FLAMENCO é uma técnica de música e dança extremamente requintada e tem um “código” expressivo próprio e desenvolvido.
A complexidade da arte flamenca envolve uma integração definida entre música, dança e teatralidade dificilmente encontrada em outras manifestações artísticas. Em verdade a música flamenca, cante e toque, pode ser realizada independente da dança, mas o baile flamenco não tem essa possibilidade inversa; é determinantemente uma dança que se realiza acompanhada de música ao vivo, o que a torna absolutamente teatral. O que se pode encontrar diferentemente dessa estrutura é um estereotipo elaborado sobre a linguagem da dança e não uma representação de sua essência.
Por estar a dança flamenca absolutamente integrada à música, e por essa música ser de natureza bastante expressiva, apresentando sempre uma temática desenvolvida pela poesia cantada, o baile flamenco manifesta um tipo de dramaturgia que o coloca na categoria de dança-teatro.
Às vezes mais poética e abstrata, ou em outras ocasiões mais comprometida com uma narrativa e até com a formalização de personagens, a dança flamenca é por natureza uma manifestação artística da DANÇA-TEATRO, dentro de uma linguagem própria e específica.
O FLAMENCO espanhol criou uma geração de pesquisadores que vêm se dedicando a integração do FLAMENCO com outras linguagens. No caso da dança, por exemplo, vêm sendo desenvolvidas pesquisas que integram o FLAMENCO à dança moderna de Martha Graham, ou às aplicações processuais dos trabalhos de Pina Baush; muitas explorações foram e são feitas na aproximação da dança flamenca e do teatro formal, a começar por textos de Garcia Lorca, ou textos de teatro clássico, ou uma integração da dança flamenca à comédia dell’arte que foi recentemente encenada em Madrid.
Fonte: Flamenco Brasil

Todas as vezes que pensava no Flamenco, em geral, visualizava uma bela dançarina, cujos movimentos exóticos revelavam-se por trás de um vestido vermelho e esvoaçante.
Depois que conheci a belíssima arte de Joaquín Cortés, quebraram-se os paradigmas em minha mente. Joaquin é fabuloso! Sua interpretação Flamenca consegue equilibrar tradição e inovação. De um lado resguarda as origens desse misterioso e inesgotável ritmo; de outro, confere-lhe um modernismo sofisticado e elaborado, proporcionando vitalidade e ainda mais singularidade à dança.
A fidelidade é tanta que, mesmo num palco com iluminação em tons azuis, sua performance remete-nos ao vermelho, ao calor, à sensualidade e à paixão característicos dessa complexa arte...





FELIZ ANIVERSÁRIO, JOAQUÍN!!!
Claudia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ENVELHECER: Aprecie esta viagem!, por George Carlin

Você sabia que a única época da nossa vida em que gostamos de ficar velhos é quando somos crianças? Se Você tem menos de 10 anos, Você está tão excitado sobre envelhecer que pensa em frações.
Quantos anos Você tem? Tenho quatro e meio! Você nunca terá trinta e seis e meio. Você tem quatro e meio, indo para cinco! Este é o lance!
Quando Você chega à adolescência, ninguém mais o segura. Você pula para um número próximo, ou mesmo alguns à frente. 'Qual é sua idade?'
Eu vou fazer 16!' Você pode ter 13, mas (tá ligado?) vou fazer 16!
E aí chega o maior dia da sua vida! Você completa 21! Até as palavras soam como uma cerimônia: VOCÊ ESTÁ FAZENDO 21. Uhuuuuuuu!
Mas então Você 'se torna' 30. Ooooh, que aconteceu agora? Isso faz Você soar como leite estragado! Êle 'se tornou azedo'; tivemos que jogá-lo fora. Não tem mais graça agora, Você é apenas um bolo azedo. O que está errado? O que mudou?
Você COMPLETA 21, Você 'SE TORNA' 30, aí Você está 'EMPURRANDO' 40. Putz! Pise no freio, tudo está derrapando! Antes que se dê conta, Você CHEGA aos 50 e seus sonhos se foram.
Mas, espere! Você ALCANÇA os 60. Você nem achava que poderia!
Assim, Você COMPLETA 21, Você 'SE TORNA' 30, 'EMPURRA' os 40, CHEGA aos 50 e ALCANÇA os 60.
Você pegou tanto embalo que BATE nos 70! Depois disso, a coisa é na base do dia-a-dia; 'Estarei BATENDO aí na 4ª. feira!'
Você entra nos seus 80 e cada dia é um ciclo completo; Você bate no lanche, a tarde se torna 4:30; Você alcança o horário de ir para a cama. E não termina aqui. Entrado nos 90, V. começa a dar marcha à ré; 'Eu TINHA exatos 92.'
Aí acontece uma coisa estranha. Se Você passa dos 100, Você se torna criança pequena outra vez. 'Eu tenho 100 e meio'!
Que todos Vocês cheguem a um saudável 100 e meio!!

COMO PERMANECER JOVEM
Livre-se de todos os números não-essenciais. Isto inclui idade, peso e altura. Deixe os médicos se preocupar com eles. É para isso que Você os paga.
Mantenha apenas os amigos alegres. Os ranzinzas, os que só reclamam da vida só deprimem.
Continue aprendendo. Aprenda mais sobre o computador, ofícios, jardinagem, seja o que for, até radio-amadorismo. Nunca deixe o cérebro inativo. 'Uma mente inativa é a oficina do diabo. Trabalhe, estude! E o nome de família do diabo é ALZHEIMER.
Aprecie as coisas simples.
Ria sempre, alto e bom som! Ria até perder o fôlego.
Lágrimas fazem parte. Suporte, queixe-se e vá adiante. As únicas pessoas que estão conosco a vida inteira somos nós mesmos. Mostre estar VIVO enquanto estiver vivo.
Cerque-se daquilo que ama, seja família, animais de estimação, coleções, música, plantas, hobbies, seja o que for. Seu lar é seu refúgio.
Cuide da sua saúde: se estiver boa, preserve-a. Se estiver instável, melhore-a. Se estiver além do que Você possa fazer, peça ajuda.
Não 'viaje' às suas culpas. Faça uma viagem ao shopping, até o município mais próximo ou a um país no exterior, mas NÃO para onde Você tiver enterrado as suas culpas.
Diga às pessoas a quem Você ama que Você as ama, a cada oportunidade.
E LEMBRE-SE SEMPRE:
A vida não é medida pela quantidade de vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos tiram a respiração.


A jornada da vida não é para se chegar ao túmulo em segurança em um corpo bem preservado, mas sim para se escorregar para dentro meio de lado, totalmente gasto, berrando:
"QUE VIAGEM!"
As palavras de George Carlin foi a forma que encontrei de desejar um excelente carnaval, pois, é exatamente disso que se trata: curtir a vida. Brinquem, amem, sorriam, aproveitem a festa, aproveitem a vida; mas não esqueçam que, com responsabilidade, a folia é muito melhor. No final, nossa serenidade permanece intacta. ;D
Abraços,
Claudia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O Exemplo da Coral: Tudo de Cor para o Brasil



Dentro do princípio da sustentabilidade e responsabilidade social, a Coral, uma empresa do Grupo AzkoNobel, o maior fabricante de tintas do mundo, resolveu colorir o Bairro do Bexiga, em São Paulo, através do Projeto “Tudo de Cor para São Paulo”.

A empresa acredita, e eu também, que a cor tem o poder de mudar a vida das pessoas. Daí a origem do Projeto que revitalizou antigas construções do tradicional bairro de São Paulo. Mais que novas cores para as casas, a pintura trouxe novas perspectivas para os moradores, aumentando o entusiasmo e a auto-estima à medida que as cores revelavam a beleza das fachadas, antes escondidas pelo desgaste do tempo e pela aparência cinza.




O resultado foi tão positivo que outros lugares já estão sendo pintados em todo o país. Em Pernambuco, no projeto “Reviver Recife Centro” algumas ruas foram selecionadas, em conjunto com o Centro de Dirigentes de Lojistas e com a Prefeitura da cidade, para a revitalização do centro histórico de Recife. A Coral contribuiu na parte de pintura de pisos e fachadas, capacitação de pessoal e treinamento para pintores.


No mundo, alguns projetos para colorir cidades vem trazendo frutos excelentes no comportamento da sociedade, a exemplo do Projeto de Tirana, Capital da Albânia.

No Brasil, torço para que outros empresários sigam o exemplo da Coral
e dediquem um pouco de seus recursos e tempo para ajudar a transformar as comunidades nas quais estão inseridos, as mesmas que, não por acaso, motivam a existência de suas organizações.

Claudia.

domingo, 6 de dezembro de 2009

eco4planet.com: esta idéia merece ser divulgada



Um novo conceito de buscas na Internet, o eco4planet utiliza o sistema Google Pesquisas Personalizadas, mantendo, assim, o mesmo padrão de consultas.

A inovação está na proposta ecológica do site. Desde agosto de 2009, o eco4planet efetua o plantio de árvores de acordo com o número de acessos ao portal, ou seja, a cada 50 mil acessos, uma muda vai para o solo brasileiro. Na página principal, pode-se acompanhar o contador atualizado de árvores. Para saber o local e a data dos plantios é só seguir a página do Projeto no Twitter.
A inovação não pára por aí. O portal ainda economiza energia, pois seu plano de fundo predominantemente preto permite uma economia de até 20% de energia do monitor, se comparado à tela branca.




Já o adotei como meu site oficial de buscas. E você?
;D

domingo, 29 de novembro de 2009

Setor 2.5: Lucratividade com Responsabilidade Social




“Seu Cristo é hebreu.
Sua pizza é italiana.
Suas férias são internacionais.
Sua democracia é grega.
Sua língua é latina.
Seu café é brasileiro.
Seus números são árabes.
Seu carro é japonês.
Seu relógio é suiço.
Sua cerveja é alemã...
e...
Seu vizinho é o único estrangeiro?”
(Anônimo)


O poema é um apelo para que voltemos os olhos para o nosso vizinho, aquele que está ao nosso lado, ou na próxima esquina, nos viadutos, no bairro mais próximo. Na verdade, esse vizinho pode estar em qualquer ponto da rua, do bairro, da cidade, do país e até mesmo do mundo.

Desconheço a autoria do poema, que vem assinado como “Anônimo”, mas o que importa é que seu chamado parece estar sendo atendido, através de iniciativas em diversos pontos do planeta, inclusive, no Brasil.

Emociona-me as crescentes experiências de sucesso de empreendedores cujos negócios estão voltados para o desenvolvimento sócio-ambiental.

A Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios, Edição nº 250, traz uma reportagem estimulante sobre jovens empreendedores, de até 30 anos, cujos trabalhos vêm proporcionando grandes transformações, através dos chamados
Negócios Sociais
. Na introdução da matéria uma afirmação: “todos acreditam que é possível, sim, obter lucro combatendo a pobreza”.


Negócios como a Tekoha, loja virtual de artesanato produzido por 26 comunidades vulneráveis de índios do Pará e famílias do sertão baiano. Desenvolvida sob o princípio da transparência, a loja oferece infra-estrutura quanto à divisão dos preços dos produtos entre a comunidade, o transporte, os impostos e os custos administrativos. Em média, 50% da receita de venda ficam com os produtores. A loja já proporcionou exportações para a Suíça e a Polônia.

Outra experiência que merece atenção é a do Banco Pérola, instituição que empresta até R$ 1 mil para empreendedores informais de Sorocaba. O objetivo é viabilizar os projetos de pequenos empreendedores em potencial.

Um dos projetos mais interessantes é o da A Banca
, produtora cultural do Jardim Ângela, na periferia paulistana. A empresa oferece aulas gratuitas de violão e de formação de DJs. Nos encontros, através dos diálogos com os participantes, o auxílio na superação de problemas com drogas e brigas de família.
Parte desses projetos é financiada pela Artemisia, uma organização internacional que trabalha para o desenvolvimento do campo de Negócios Sociais em várias partes do mundo, principalmente no Brasil. A organização “aposta e investe no desenvolvimento de capital humano para criar ou gerenciar empreendimentos financeiramente rentáveis que trabalhem para a redução das desigualdades socioeconômicas”, conforme descreve o site da instituição.

Na esfera governamental, meus parabéns para o PROAURP – Programa de Agricultura Urbana e Periurbana da Prefeitura de São Paulo. Através do Programa, o governo municipal apóia a implantação de hortas comunitárias e escolares. No caso das comunitárias, com o apoio das subprefeituras e das lideranças locais, o PROAURP vem utilizando áreas públicas ociosas, terrenos de 500 a 5 mil m2 que estavam virando lixões. O apoio oferecido pelo governo abrange o empréstimo das ferramentas para preparo do solo, o fornecimento das sementes e o treinamento das pessoas que vão cuidar do plantio. O programa evita a degradação de terrenos ociosos em zonas urbanas, estimula a socialização, contribui para a educação ambiental, traz a produção de alimentos para perto dos moradores, complementando a alimentação de famílias da comunidade local e ainda possibilita a geração de renda, graças à venda da produção excedente.

Ainda há muito caminho a ser percorrido, mas, aos poucos, vamos aprendendo a lição. Enquanto isso, fica a reflexão: E você, já olhou para o seu vizinho hoje?



Setor 2.5 - Novo Promo from Hugo Gurgel on Vimeo

Desejo a todos uma ótima semana!
Claudia.

domingo, 22 de novembro de 2009

As seis perfeições do budismo, por Melissa Diniz



Uma passada rápida apenas para desejar uma semana repleta de vibrações positivas.
;D
Claudia.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Geisy: um case de sucesso viabilizado pela “cultura” nacional



Junte uma loura no estilo Carla Perez, no início do grupo “É o Tchan”,
um vestido minúsculo,
uma universidade sem grande brilhantismo,
e os recursos da internet (ou melhor, a subutilização desses pelos movimentos sociais).
Pronto, eis a fórmula do sucesso!

Cá para nós, nosso nível anda muito baixo. Penso no desperdício de energia e na cultura inútil que vem circulando na INTERNET (Jornais, Youtube e blogs), desde o incidente na Uniban. Um povo que não se escandaliza mais com mensalões, corrupções, assassinatos, etc., ironicamente, fica indignado e até faz manifestações pelo direito de Geisy usar um vestido curto, precisa rever seus valores. Deveríamos estar em constante vigília e nos mobilizar contra as peripécias no congresso, em minha opinião, muito mais imorais e escandalosas.

Dói-me, por exemplo, assistir tribos indígenas lutando e questionando os possíveis impactos que poderão ser acarretados com a implantação da Hidrelétrica de Belo Monte, uma obra grandiosa, que envolve a construção de um desvio no curso do Rio Xingu e pode custar até R$ 30 bilhões. O lado bom? Quando concluída, será a maior hidrelétrica puramente nacional, com capacidade de gerar 11.200 megawatts de energia, que corresponde a 10% da produção elétrica nacional atual. O lado ruim? A obra vai atingir cerca de 30 mil pessoas, entre dez terras indígenas e ribeirinhas.

“Para construir um desvio no Rio Xingu, as empreiteiras devem remover uma quantidade de terra semelhante ao volume do Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, uma das maiores obras de engenharia do século XX. Os estudos de impacto ambiental sugerem a necessidade de um monitoramento futuro para determinar como ficará a região da Volta Grande do Rio Xingu após a construção da hidrelétrica. Em uma obra em que todos os números são gigantescos é difícil imaginar que o impacto será pequeno”, conforme relata a reportagem da Revista Época, edição 599.

Não sou contra o desenvolvimento, mas temos que admitir que obras dessa dimensão necessitam transparência e debate público. Afinal, estamos falando do destino de muitas vidas e do patrimônio nacional. Enquanto isso, o país fica às voltas discutindo o caso Geisy, que já pousa em capa de revista e cujo “infortúnio” vai acabar lhe rendendo alguns trocados, graças à pobreza da nossa mídia e da cultura do nosso povo. Particularmente, prefiro a Bruna Surfistinha, é mais autêntica e disse logo a que veio. Por ironia, a moça foi matéria na seção “Personagem da Semana” da Revista Época, edição supracitada.

Para os que levantaram a bandeira de Geisy, temendo ser tachado de machistas, vale salientar que o contrário de machismo não é apologia à libertinagem, trajes minúsculos e provocações. O inverso de machismo é a valorização da mulher, cuja feminilidade deve ser elegantemente ressaltada e não explorada.
Esse tipo de barulho está mais para a década de 60. Êta atrazo!!!!!!!

Para finalizar, deixo vocês com o vídeo “Levante sua Voz”, que retrata a concentração dos meios de comunicação existentes no Brasil. No desenvolvimento da reportagem, é fácil entender porque as banalidades são tão ovacionadas na nossa “cultura”.

Um grande abraço,
Claudia.

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.